Correção de atribuição e recuperação de receita invisível em mídia de operação de crédito
Industry
Financial Services
Challenge
A operação de aquisição de crédito lidava com um volume expressivo de conversões atribuídas ao canal direto, muito acima do padrão esperado. O problema não estava na mídia em si, mas na incapacidade da arquitetura padrão de analytics de acompanhar uma jornada naturalmente interrompida e retomada pelo usuário.
Results
O projeto recuperou R$ 21,6 milhões em produção, reatribuiu em média R$ 3,6 milhões por mês ao canal correto e devolveu ao time visibilidade real sobre o retorno da mídia paga, sem aumentar investimento.
Lógica customizada de atribuição com lookback de 48 horas
Atribuição de mídia
“Não era um problema de performance da mídia. Era um problema de memória da jornada. Quando a mensuração esquecia de onde o cliente veio, o negócio começava a decidir com metade da história.”
Head de Mídia e Performance em Crédito
Serviços financeiros
Quando a jornada real não cabe na sessão padrão
A operação pertence a uma instituição financeira com alta dependência de mídia para aquisição de leads em produtos de crédito. Em um contexto como esse, atribuição não é uma camada acessória de analytics. Ela é parte central da leitura de eficiência comercial.
Quando a jornada do cliente exige pausa, retomada e envio de documentos, medir conversão como se tudo acontecesse em uma única sessão contínua produz uma imagem parcial do retorno. E decisões feitas com imagem parcial quase sempre custam mais caro do que aparentam.
A origem desaparecia no meio do caminho
O ponto cego estava escondido dentro de um comportamento absolutamente normal do usuário.
No produto de Empréstimo com Garantia de Veículo, a jornada começava no clique de uma campanha paga, mas não terminava ali. Para avançar, o cliente precisava reunir documentos, tirar fotos do veículo, interromper o preenchimento e voltar depois para concluir a solicitação. Esse intervalo, natural do ponto de vista humano, era tratado como ruptura pela lógica padrão do analytics.
Depois de 30 minutos de inatividade, a sessão expirava. Quando o usuário retornava para finalizar, os parâmetros de origem já haviam se perdido. A conversão então passava a ser registrada como direta, como se não houvesse existido qualquer campanha antes.
O efeito dessa falha era relevante. O canal direto passou a concentrar 24% das conversões, quando um patamar saudável para esse tipo de operação gira em torno de 10%. Essa diferença não representava força espontânea da marca. Representava atribuição quebrada.
O problema não era só estatístico. Era financeiro. O time de mídia investia volumes elevados todos os meses e tomava decisões com base em uma visão que subestimava o próprio retorno. A mídia performava, mas parte da conversão se tornava invisível no momento de avaliar CAC, ROI e escalabilidade do produto.
Fazer a jornada lembrar de onde ela começou
A resposta foi parar de aceitar a sessão padrão como verdade suficiente.
A MATH estruturou uma lógica customizada de atribuição capaz de reconstruir a jornada de quem saía e voltava para concluir a contratação. Em vez de tratar a nova sessão como evento isolado, a solução passou a olhar para trás e recuperar o contexto de origem da conversão.
A arquitetura foi desenvolvida em PySpark e SQL sobre o data lake, com uma janela de lookback de 48 horas. Essa decisão não foi arbitrária. A equipe avaliou cenários maiores, de até cinco dias ou mais, mas identificou que o ganho de recuperação seria marginal diante do aumento de custo computacional. A janela de 48 horas se mostrou o ponto ótimo entre precisão analítica e eficiência de processamento.
O modelo identifica o retorno do mesmo usuário após a expiração da sessão e varre o histórico recente em busca dos parâmetros de campanha que haviam se perdido no caminho. Quando encontra a origem, remove o crédito indevido do canal direto e o devolve ao canal que efetivamente iniciou a jornada, seja mídia paga, CRM ou outra frente de aquisição.
Mais do que um ajuste técnico, a solução devolveu governança à atribuição. A operação passou a trabalhar com um modelo mais aderente ao comportamento real do cliente, em vez de continuar presa à limitação da ferramenta padrão.
O ganho veio de uma decisão simples e decisiva: parar de medir a jornada como se o cliente se comportasse do jeito mais conveniente para a ferramenta.
O que voltou a aparecer no ROI
O resultado mais direto foi a recuperação de R$ 21,6 milhões em produção corretamente reatribuída aos canais de origem desde o go-live. Esse valor já existia na operação. A diferença é que ele não aparecia onde deveria aparecer.
Na média recorrente, cerca de R$ 3,6 milhões por mês deixaram de ser registrados como tráfego direto e passaram a compor a leitura correta da jornada. Desse total, R$ 1,8 milhão por mês foi devolvido especificamente ao P&L da mídia paga, restabelecendo a visão real sobre o retorno do investimento publicitário.
Houve também um efeito estrutural importante sobre a qualidade da leitura. O share de tráfego direto caiu de 24% para cerca de 11%, alinhando a operação a benchmarks mais consistentes de eficiência digital. Isso não significa apenas uma métrica mais bonita. Significa que a diretoria passou a decidir com base em um retrato mais fiel da realidade.
A consequência prática foi melhor uso do orçamento. Sem aumentar investimento em mídia, o banco passou a operar com um CAC real mais baixo e um ROI mais alto, simplesmente porque a receita deixou de escapar da atribuição.
Ao final, a correção não criou valor artificial. Ela só devolveu visibilidade ao valor que já estava sendo gerado, mas permanecia fora do campo de visão.
